quarta-feira, janeiro 27, 2021
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A encerrar um ano que ficará na memória de todos nós, sentimo-nos de alma cheia e de coração a transbordar. Apesar de 2020, e graças a 2020, a família ELF cresceu, novos livros conheceram novos leitores (e alguns conquistaram lugares especiais na vida de muitos de nós). 

Ao longo do ano, contamos com mais uma edição ELF, que nos fez regressar ao lugar onde tudo começou; criamos e dinamizamos as rubricas Fiquem em casa e (re)descubram o prazer e ler juntos e Calendário de Leituras de Advento, que possibilitaram experiências de proximidade e de novas abordagens aos livros; apresentamos mais de 130 sugestões de leitura, distribuídas por diferentes temas e rubricas, e mais de 100 propostas de atividades; estreitamos a comunicação com os nossos leitores no Facebook e no Instagram; continuamos a integrar as ações aLer+2027; fomos duplamente distinguidos com o selo Escola Amiga da Criança; e brindados com maravilhosas partilhas de experiências, que se traduziram em belíssimos trabalhos

Não é, portanto, de estranhar que estejamos de alma cheia e de coração a transbordar: OBRIGADA A TODOS! 

Em jeito de agradecimento, trazemos uma seleção de livros com coração dentro (pois ao coração todos falam). São quatro obras de 2020 que, em nosso entender, encerram uma poderosa e pertinente mensagem para uma era que se quer nova.

Estes quatro trabalhos, que se ligam pelo coração, abrigam quatro histórias de amor bem distintas entre si. A alma perdida, uma obra da polaca Olga Tokarczuk, prémio nobel da literatura, ilustrada pela inconfundível Joanna Concejo, dirige-se a pequenos e (sobretudo) a grandes leitores, e constitui uma poderosa reflexão sobre o ritmo frenético que atualmente levamos (e com o qual compactuamos), e as consequências de uma vida de superficialidade. 

Revemo-nos com facilidade em Jan, o protagonista, que depois de um episódio em que se esquece de quem é, recorre a uma sábia médica que lhe apresenta um curioso diagnóstico e um inesperado tratamento:

"- Se alguém pudesse olhar para nós lá do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que correm apressadas, transpiradas e muito cansadas, e que atrás delas correm apressadas as suas almas perdidas (...)"

"(...) O senhor tem de encontrar um lugar onde se sinta bem, sentar-se aí tranquilamente e aguardar pela sua alma. (...)"

E foi o que Jan fez. Depois de encontrar uma casinha nos arredores da cidade, sentou-se à espera da sua alma. 
O reduzido texto verbal que integra a obra é compensado pelo espaço dado às ilustrações, responsáveis pelo caminho de leitura de cada um. 
Atendamos, por exemplo, em aspetos como a passagem do tempo (que nos é revelada pelo crescimento da barba e do cabelo de Jan), ou da transformação dos espaços, com a chegada da "alma" do protagonista, representada por uma criança. 
Esta história de amor, que termina como as dos contos de fadas, apresenta a Infância (o tempo da curiosidade e do deslumbramento) e a Natureza (com os seus ritmos e o seu tempo lento) como lugares de regresso à essência e de resgate do essencial:
 
"Desde então, viveram felizes para sempre e Jan passou a ter muito cuidado para não fazer nada demasiado depressa de modo que a sua alma conseguisse acompanhá-lo. (...)"
A história de amor que se vive em Os sinais do Coração, um trabalho muito original, com texto do brasileiro Guilherme Semionato e ilustrações (bem nacionais) de Gabriela Sotto Mayor, é tão inesperada quanto insólita. Tal como a escolha anterior, é também um livro para ler muitas vezes, atendendo aos vários níveis de leitura que apresenta.
Detenhamo-nos, por exemplo, na observação das guardas (imagem abaixo). A transformação dos elementos que compõem a paisagem, embora nos forneça pistas valiosas, só no final da leitura revelará o(s) seu(s) sentido(s).
 
A história de amor que aqui se vive é protagonizada pelo Til e pela Cedilha que moram na palavra CORAÇÃO. E só acontece porque "(...) por vezes, mesmo as almas mais quietas querem estender a mão para alguém".
E é então que o Cupido ataca. Depois de um divertido encontro, onde os dois se conhecem (excerto abaixo), esta história tem direito a tudo o que uma boa história de amor tem direito: o amor à primeira vista, o namoro, os cúmplices, "os do contra", a preparação da boda, a chegada dos convidados, o casamento e a festa, a lua de mel (e as suas peripécias), e a nova vida do casal, que passa a morar na palavra HABITAÇÃO.
 
"- Oi. Quem é você? - perguntou a Cedilha.
- Eu sou o Til.
- Tio? Tio de quem?
- Til, com l de lombriga.
- Ah! Então você não é tio de ninguém?
- Não. Sou filho único.
- Qual é o nome de sua mãe?
- Mãe. Todo Til nasce da palavra Mãe. Nós ficamos perto dela o máximo que dá, mas uma hora temos de viver em outras palavras.
- Aí, você veio parar aqui? (...)"
 
Este trabalho encerra a velha máxima sobre o poder que a literatura tem de tornar extraordinárias as coisas aparentemente "vulgares". É, com efeito, e tendo como cenário o dicionário, que os autores constroem um profícuo diálogo entre signos, significados e sentidos, capazes de abrir um amplo leque de leituras e interpretações (que podem ir, por exemplo, da simples história de amor às diferentes representações da família - até as mais controversas). 
O humor, que ora é conferido pelo texto, ora por apontamentos pictóricos,  associado à explosão sensorial que emana da ilustração, completam o cenário desta bonita história com coração dentro.
A história de amor se se segue mora num delicado livrinho, onde as palavras se vestem de poesia e falam diretamente ao coração. Falamos de Coração de Pássaro, uma obra de Mar Benegas e Rachel Caiano, que conhecemos, quase por acaso, neste belo espaço limiano, onde os livros têm um lugar especial.
Nesta obra, o leitor entra logo em modo poético ao ler a apresentação das autoras (imagem abaixo), aspeto que apreciamos particularmente na Akiara.
Com a busca da poesia (e da beleza) como fio condutor, esta história de amor, protagonizada por Nana e Martim, é feita de sensibilidade e delicadeza, e traduzida para uma linguagem de que só os poetas são capazes.
 
"Porque os olhos de Nana eram um vulcão de areia lunar. Observavam um melro e transformavam-no num bosque.(...)"
 
"E Nana tinha um amigo. Era o seu vizinho, filho do padeiro. 
Ali permaneceram muito tempo juntos, escutando aquele diálogo interminável. E o Martim mostrou um bolo, quase acabado de fazer, e partilharam-no. E deram um beijo.
- Ah. Então eu também gosto de poesia - concluiu ele.
E o Martim pensou que a poesia eram pedras e búzios. (...)"
E é entre a aldeia de pescadores onde os dois vivem, e onde a menina tenta encontrar métodos para escrever poesia, a cidade para onde Nana parte em busca dos poetas, e o bosque, onde a alquimia tem lugar, que Nana e Martim vão construindo a sua história de amor, uma história com sabor a pão, a mar e a palavras. 
 
"O Martim, o filho do padeiro, só escrevia versos com farinha branca; amassava-os e metia-os no forno. Era o mistério do pão acabado de fazer. E despediu-se de Nana com um presente. Tinha forma de pássaro."
 
(E não resistimos, a propósito, a recordar aqui Petrini e Sepúlveda, quando no seu livro Uma ideia de Felicidade, referem que "há mais sabedoria num pão bem feito, do que num discurso para «arejar os dentes»")   
 O livro que completa a nossa seleção é de autoria nacional, de Marco Taylor, e gostamos dele pelo seu caráter experimental e inovador. Trata-se de um livro às fatias, que integra a categoria de livro-objeto, e que contém também uma história de amor. Nesta obra, porém, é o leitor que decide como acaba a história: falamos de A história que acaba bem. A história que acaba assim-assim. A história que acaba Mal.
É um livro onde predomina a imagem sobre o texto (que é residual), e que convida a refletir sobre as escolhas que fazemos, sobre as variáveis que controlamos e as que não dependem de nós. 
A paleta cromática escolhida (não ao acaso, dada a simbologia que encerra) dá o tom às três histórias. Os diferentes desfechos são materializados com a incorporação de cores e tons condizentes com os estados emocionais que emergem de cada história.
Por cá, e porque gostamos que as histórias ELF acabem bem, pedimos de empréstimo ao Marco algumas palavras, e, ainda que "quando apaixonados, às vezes sejamos tolos", outras vezes, "quando apaixonados temos mais coragem!". 
A nossa paixão pelos livros e o nosso amor à leitura continuarão a marcar presença neste espaço.
Obrigada a todos.
 
Nota: No que respeita a novidades editorais da LIJ em 2020, falamos de outras obras a propósito das representações do ambiente na literatura; das representações da infância; dos avós que povoam a atual literatura infantil; e de leituras luminosas para dias cinzentos
 
 
Boas leituras e desejos de um feliz Ano Novo!
 
 
 
 
 
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Tal como falamos aquando da abertura do ano letivo, o projeto de leitura em articulação com a família que delineamos para 2020/2021, Canteiros de Histórias, desdobra-se em três eixos temáticos, tendo por base um conjunto de obras literárias de potencial receção infantil dentro dos temas, e pressupõe a vivência de uma experiência em família, que poderá resultar num produto final.

Às várias escolas do agrupamento já começaram a chegar ecos deste projeto: trabalhos e  testemunhos que revelam, por um lado, a tónica que é colocada no processo, que é onde reside a verdadeira experiência, e, por outro, as potencialidades da leitura literária em ambiente familiar, quer ao nível do desenvolvimento das várias literacias, quer do estreitamento de laços afetivos entre os vários elementos, e as diferentes gerações.

Dentro do eixo temático Ritmos da Natureza, a proposta consiste na construção de um Canteiro (na horta, no jardim, em vaso, em garrafa, em lata…) que sirva experiências de germinação, crescimento, floração, frutificação, etc, e  que tenha por base a leitura realizada dentro do tema. O canteiro literário que podemos ver na imagem mostra-nos, por exemplo, as possibilidades de associação da leitura a experiências "verdes". Este bonito vaso trará sempre à memória a leitura que esteve na base da sua construção. 

O eixo temático Representações da Infância pressupõe a construção de um mini livro artesanal, em formato original,  que tenha por base a leitura realizada (uma personagem, um cenário, uma mensagem, uma inquietação…). Os trabalhos que a seguir apresentamos mostram duas ideias bem originais de concretização.

No primeiro trabalho, a partir da obra Quando eu Nasci, a família da Letícia construiu um belo "scrap-álbum", que encerra um conjunto de memórias felizes na vida da menina. Já em casa da Ana Liu, a leitura da obra A Viagem, que trata uma temática difícil na literatura infantil, a questão das migrações forçadas, deu origem a um delicado livrinho acordeão que representa, essencialmente, os diferentes estados emocionais vividos pelas crianças que protagonizam a obra.

A Sabedoria dos Avós, terceiro eixo temático em que se desdobra o projeto, prevê a elaboração de um frasco de memórias “coisas que a avó/o avô me ensinou/me contou”. Os originais produtos que se seguem são a prova da pluralidade de leituras que é possível realizar em torno de um eixo comum.

Escolher um frasco (ou outro recipiente de desperdício) e embelezá-lo de acordo com a obra trabalhada é a primeira sugestão de concretização. Os quatro "frascos de memórias" que aqui trazemos são reveladores da veia criativa de grandes e pequenos leitores. Na imagem acima, por exemplo, a partir do ternurento livro de Chema Heras, Avós, a Matilde explorou a dicotomia Sol e Lua, que acompanha as falas do avô Manuel e da avó Manuela ao longo de toda a obra. Já na imagem abaixo, podemos ver uma alegre recriação de O meu avô, adaptado a "A minha avó", onde não faltam as mensagens de ternura.

O trabalho abaixo, inspirado na emblemática obra A Manta, realizado pelo Enzo e pela sua família, fez-se acompanhar de um testemunho onde o poder da literatura no resgate de memórias é particularmente notório:

"Neste trabalho sobre o livro "A Manta", fizemos um pote da memória, revestimos com retalhos de tecido para fazer lembrar a manta da avó, para a tampa utilizamos um pedaço de tecido, que era do vestido da 1 comunhão da minha irmã. Dentro colocámos receitas de família, fotografias dos meus avós, bisavós e tios, jogos tradicionais e provérbios populares. Gostámos muito de fazer este trabalho porque relembramos a infância e juventude dos meus avós." 

E quando de memórias se trata, os sabores não podem faltar. A prová-lo está este interessante frasco guloso feito pela família da Marta Mendes, onde o sabor doce das pipocas é comparado à doçura das palavras da avó.

"Até o cheirinho me faz lembrar a casa da avó! Estas pipocas são tão doces como as palavras da minha avó" (diz a Marta).
 
Se dúvidas restassem sobre as maravilhas da leitura em família, teriam ficado todas dissipadas.
 
Boas leituras!
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A biblioteca escolar tem a decorrer o Passatempo Calendário de Leituras de Advento na página web Educação Literária na Família. 
 
Do dia 1 ao dia 24 de dezembro é apresentada uma sugestão de leitura alusiva ao Natal, acompanhada de uma ou duas sugestões de atividades. Esta iniciativa destina-se a todas as crianças / alunos, e pode ser levada a efeito em contexto de sala de aula ou em contexto de família.
 
De modo a que todos os pais tenham conhecimento e acesso ao passatempo, pedia a vossa colaboração na divulgação: são sugestões interessantes para otimizar o tempo em casa, que permitem o alargamento de práticas em torno de diferentes literacias, entre as quias, a literacia familiar.
 
De modo a tornar o passatempo mais interativo, divulgaremos todos os trabalhos e, no dia de Natal, sortearemos dois livros entre todos os participantes. Sugerimos que divulguem nos grupos que criaram com os pais, nas RS, e que os sensibilizem para participarem. Ganhando as famílias, ganhamos todos!
 
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Já arrancaram as sessões da edição 2020/2021 da Escola de Pais António Feijó.

O projeto Escola de Pais, iniciado no agrupamento de escolas António Feijó em 2018/2019, na modalidade de projeto piloto, foi selecionado pela Rede Nacional de Bibliotecas Escolares, no âmbito da candidatura Ideias com Mérito 2020. Trata-se de um espaço de diálogo e partilha entre a escola e a família e tem como principal missão a criação de comunidades de partilha numa perspetiva de aprendizagem mútua e ao longo da vida, desdobrando-se em três grandes objetivos:

  1. Reforçar e sistematizar a articulação e a interação escola-família, através da criação de um espaço / conceito específico: A Escola de Pais.
  2. Promover o desenvolvimento de competências no âmbito das diferentes literacias (leitura, informação, digital, multimédia, matemática, científica, financeira, cinematográfica, artística, ecológica…) em ambiente familiar.
  3. Contribuir para a criação e exploração de contextos favoráveis à aprendizagem formal e não formal, e ao longo da vida.

A escola de pais tem como parceiros a Escola Superior de Educação de Viana do Castelo e, no presente ano letivo, o município de Ponte de Lima e operacionaliza-se através de um programa composto por um conjunto de sessões temáticas, que, no presente ano letivo, decorrerão, maioritariamente, on-line, na modalidade de seminário, com periodicidade média quinzenal (cronograma abaixo). As sessões serão dinamizadas por uma equipa multidisciplinar, altamente qualificada, composta por docentes da Escola Superior de Educação de Viana do Castelo e do Agrupamento de Escolas António Feijó.

Este projeto é coordenado pelas docentes Lúcia Barros (em representação do Agrupamento de Escolas António Feijó) e Fátima Fernandes (em representação da ESE de Viana do Castelo).

Mais informação pode ser encontrada na página da Biblioteca Escolar António Feijó:

https://bibliotecaantoniofeijo.blogspot.com/2020/11/escola-de-pais-20202021-inscricoes.html

https://bibliotecaantoniofeijo.blogspot.com/2020/12/soltem-as-criancas-escola-de-pais.html

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Decorre no próximo dia 11 de dezembro, na Escola Básica António Feijó, a fase de escola do Concurso Nacional de Leitura, iniciativa onde os alunos da Escola Básica António Feijó se têm empenhado e obtido resultados relevantes. Esta fase destina-se aos alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico e terá como base a obra "Sexta-feira ou a Vida Selvagem" de Michel Tournier.

O Concurso Nacional de Leitura é uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares, contanto com o empenho da Biblioteca Escolar e dos docentes da escola sede do agrupamento.

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